Desculpe-me o gênio François Truffaut. Discordo de sua frase. “Expor roupa suja ao público, por meio da arte, nunca leva a uma obra-prima.” Mentira. Meus textos são exatamente o expor de minha roupa suja ao público. Assim é minha obra nada prima a de Truffaut.
adoençaéadesculpadocaráter

A loura do cara


A LOURA DO CARA

Rua Visconde de Pirajá com Vinicius de Moraes
Ipanema
Três horas da madrugada
Um carro parado na esquina
Dentro uma loura gostosa discute com um cara
Posso ver claramente no meu telescópio
Seu decote
Sua minissaia
Suas cochas
Tenho uma ereção
Saio da janela
Sirvo-me uma dose de uísque
Meu pau não abaixa
Aperto um verdinho
Dou vários catrancos na erva
Meu pau não abaixa
Volto pra janela
O carro ainda está lá
Miro meu telescópio pra gostosa
Eles ainda discutem
Penso várias coisas
Ela deve ter o traído e ele descobriu
Vadia deliciosa
Meu pau não abaixa
A loura da um tapa na cara do cara
Com certeza ele descobriu que foi corneado
Ela sai do carro batendo a porta, com raiva.
Passional
O cara do carro vai embora
Caralho, ela é muito mais gostosa em pé.
Desisto do telescópio
Olho a olho nu
Da minha janela no quarto andar constato suas curvas
Sua minissaia preta colada ao corpo oferece-me sua bunda
Seu decote dourado serve-me suas tetas siliconadas
Meu pau não abaixa
Lá está ela, abandonada, andando de um lado pro outro.
Desfilando suas carnes pra mim
Dou um baita gole no uísque
Um tapa no bagulho
Ela me vê a olhando
Pegou-me de bagulho na mão
Ela ri pra mim
Fico imóvel na janela
Ela grita:
- Me deixa dar um dois aí com você
Não acredito
Continuo imóvel na janela
Ela grita de novo:
- Tô falando com você
Mando-a subir
Meu pau não abaixa
Ôôô... Sooorteee...
Em minutos a loura estará no meu apartamento
Crio um clima à meia luz
Deixo a vista uma garrafa de uísque e um paco de maconha
Ela toca a campainha
Ajeito a pica e abro a porta
Que visão
Ela entra e vai direto ao meu telescópio
Pergunta-me:
- Você espiona muita gente com isso?
Respondo sim
Ela continua:
- Gostou do que viu dentro do carro do meu namorado?
Respondo sim
Ela não para de falar:
- Aquele otário acha que eu tô sempre dando pra outro, acredita?
Eu tenho certeza
Respondo não
Ela senta no sofá, cruza as pernas e ascende um cigarro.
Que pernas
Em pé na porta eu posso ver bem
Ajeito a pica e fecho a porta
Ela olha pra minha pica e olhando meus olhos da um trago no cigarro
Silêncio
Sento-me ao seu lado e aperto um baseado
Silêncio
Ascendo o verdinho e dou pra ela
Silêncio
Ela da um tapa no bagulho, depois outro, e mais outro.
De repente ela bota a mão na minha perna e fala:
- Isso não tá me dando onda, você tem cocaína?
Respondo não
Porra, a maluca grita-me na janela querendo fumar um, e agora quer cocaína, tô sentindo cheiro de merda.
Sem tirar a mão da minha perna ela diz:
- Vou ligar pro moto-taxi, tem problema?
Claro que tem problema
Respondo não
O telefone dela toca, ela não atende.
Batem na porta
Não estou esperando ninguém
Uma voz masculina grita:
- Eu sei que você está aí sua piranha, abre essa porta porra!
Calmamente ela olha pra mim, da um trago no cigarro, levanta, abre a porta, e vai embora.
Corro pra janela e vejo o mesmo carro na esquina, vazio.
Os dois saem do meu prédio e andam na direção do carro
Ainda a escuto falando pro cara:
- Eu te amo seu bobo, o Mauricio é viado, eu nunca te traí.
Quem é Mauricio?
Meu nome é Frederico!
Esse cara é um corno
Eles entram no carro, ela rindo me olha e toma um tiro na cara.
Meu pau não abaixa

Pablo Treuffar

Licença Creative Commons
A LOURA DO CARA de Pablo Treuffar é licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported.
Based on a work at pablotreuffar.blogspot.com.

HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

O Putrafica


Demétrio Tenório de Mello
O domador de leões
Morou em Ipanema, na década de 80.
Era visto dirigindo uma Maserati conversível na orla do Rio
Placa de Punta Del Este
Entre outros carros
Jaguar
Porcshe
Lamborghini
Não eram dele
Demétrio foi o cafajeste no balneário carioca
Adepto das campanhas contra as drogas
Servia café a PMs em cafeteiras cheias de pó
Cheirava compulsivamente depois e antes
Batidas em seu apartamento
Não foram poucas
Não achavam nada
Em geral, iam embora melhores amigos.
Os PMs e ele!
Comparsas
Também, contrabandeava Rolex.
Trazia carros roubados do Paraguai
Tinha leões em seu apartamento
O qual era frequentado pela nata da bandidagem mundial
Falava pelo menos quatro línguas estrangeiras
Fluentemente
Sua casa era um bordel
Ele era o gigolô mor do Rio de Janeiro
E era cearense
Vivia na noite de Ipanema
Ipanema era o Leblon de hoje
Naquele tempo
Diria Hélio Luz
Ipanema brilhava à noite
É!
Ipanema brilhava por causa de Demétrio Tenório de Mello
Não durou muito
Com 38 anos de idade foi encontrado morto no Cosme Velho
Tiros nas palmas das mãos
Em seu corpo, onze pipocos fizeram a avaria.
Não sei por que tantos
Por vingança ou cortesia
Seu fim foi degradado
Ele era o homem que sabia demais
Na casa dele, foi descoberto um dossiê.
856 páginas
46 capítulos
Relatos de cizânia com uma modelo Paraguaia
Evasão de bilhões
Envolvimentos com o Cartel de Cali
Cartel de Medellín
Máfia italiana
Deputados
Senadores
Empresários
Traficantes
Economistas
Todos nomeados explicitamente
Membros da sociedade brasileira
Até o CENTAC 26 foi citado no dossiê
Serviço de informações
Movimentações de milhões de dólares
Vários bancos
Dezenas de negócios nebulosos
Roubos de diamantes
Empresas fantasmas
Enriquecimento ilícito
Além de menções a festas regadas à puta e pó
Deus não destruiria com fogo e enxofre essa Sodoma e Gomorra documentada
O caso foi arquivado por falta de evidências
Ninguém nunca foi punido
Aparentemente nada ficou provado
Só rindo!
A vida como ela é
Quando Demétrio mudou-se pro meu prédio, eu tinha 12 anos.
Fui seduzido por ele
Qual menino da minha idade não seria
Enquanto meus amiguinhos tinham heróis convencionais
Superman
Batman
Homem-aranha
Tantos outros
Eu só tinha um ídolo
Demétrio Tenório de Mello
O Cearense da Doze do Cano Cerrado
O Homem do Taco de Baseball
Rapidamente virei seu leva e traz
Eu esperava ser chamado ao seu apartamento
Ficar no meio das gostosas seminuas
Entre um beijo e outro de suas meninas
Ahhh... Minha puberdade...
Sem entender bem o que acontecia o tempo foi passando
Com 14 anos de idade perdi a virgindade no apartamento do cara
Verônica foi a dissoluta da boa ação sexual
Ela foi capa da revista Ele & Ela
Franja repicada
Calça Dijon com plaquinha de metal no bolso
Sandália de plástico
Outros tempos
Minha mãe é cristã ortodoxa e sofria por minha amizade com Demétrio
Eu não tive pai
Escolhi o mito como pai
Estar na vida dele
Passear em seus carros
Rezar pela caridade de outras maneiras
Rameiras
Denominação usada por Demétrio ao classificar suas meninas
Assim vivia a minha biografia
Daí pra drogas foi um pulo
Com 17 anos eu já tinha cheirado mais de 50gr de pó e comido 49 mulheres
Sim
Eu contei
Pior
Escrevi no meu diário
Na verdade, até outro dia.
Parei de anotar no número 1.000
Infantiloide
Tinha medo de passar de 1.000 bucetas
Pensava nos astros de rock
Comeram tanta gente
Enjoaram
Viraram viados
Começaram a dar ré no kibe
Cagar pra dentro
Tô fora
Hoje tenho 39 anos
Perdi a conta das piranhas picadas por mim
Passei a pica em geral
Eu não enjoei
Foi também aos 17 anos o meu primeiro trabalho pro grande homem
A missão:
Pegar uma BMW em Teresópolis e trazê-la pro Rio
Imaginem um menino de 17 anos, dirigindo uma BMW na Washington Luiz.
Esse menino era eu
Não abaixava minha cabeça pra nada
Na mala da BMW
Dentro do estepe
Um quilo de cocaína
Montinhos de dólares
Soube depois
Demétrio contou-me o que eu tinha feito
Deu-me os meus primeiros 1.000 dólares
Elementar meu caro
Outras mulas eu fiz
Não parei
O esquema era o seguinte
Alguém roubava um carro de luxo no Paraguai
Geralmente esportivos com preço superior a 100 mil
Botavam as drogas no estepe
Com novas placas eu os pegava em Foz do Iguaçu e trazia pro Rio
Outras vezes, levava pra São Paulo.
Abastecendo ambos os mercados de carros e de coca
Tudo era falsificado
Meu RG
CNH
CPF
A porra toda
Eu era outra pessoa
Só faltou-me um curso de espanhol
Nunca fui pego
A fé não costuma falhar
Eu já sabia
Em 1995
No dia do show do Rolling Stone
Maracanã
Soube do assassinato do Demétrio
Chorei como nunca
Era tarde
Eu já era o filho do bordel
O sem caráter
O coisa ruim
Tenho orgulho de mim
Demétrio igualmente teria
Herdei seu famoso Taco de Baseball e sua Doze Cano Cerrado
Minhas relíquias
Uma das suas biscates deu pra mim
Obrigada
Eu sou o putano
Hoje trabalho vendendo sonhos
O melhor emprego do mundo
Juntei dinheiro com os ensinamentos do meu guru e construí o Templo do Senhor
Depois outro
Outro
Hoje tenho um império
Virei pastor
Você me conhece
Sou o maior de todos
Tenho até programa na televisão
Quem foi que disse que o crime não compensa
Demétrio era otário comparado a nós, os exploradores da fé.
Doações não pagam impostos
Lavei meu dinheiro
Multipliquei minha grana
É melhor que vender armas e drogas
Tirar dindin dos idiotas da fé
É só pagar o dízimo
Eu abençoo logo
Sou o mensageiro de Deus
Minha mãe tem orgulho de mim
Acredite se quiser
Hoje eu trafico a palavra de Deus
Convertido porra nenhuma
Gosto de dinheiro
Sou o máximo
O putrafica divino
O filho do Satanás
Meu nome é Lúcifer Jr.



HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

Por favor comam minha mulher

Rua Dias Ferreira
Apartamento nos fundos
Morávamos
Minha mulher
Meu cachorro
Dois gatos
Uma tartaruga
Eee...
... Eu
Odeio as tartarugas
Odeio os gatos
Odeio cachorros
Odiava minha mulher
Sou da tribo dos maupacaraio
Nascido para odiar
Nefasto prazer sinistro sem culpa
Meu nome é Trator
Bebi umas cachaças no embalo
Embalo Bar, meu escritório no Lebronx.
Rapaziada da Chácara do Céu e do Vidigal
Negócios
Eu trabalho com vendas
Vendo aviões
Depois de três aviões pro Ferreira
Doutrinando Humberto de Campos
Garanti o faz me rir doutro dia e voltei pra casa
A safada de merda da minha namorada era uma cara de cavalo
Pistoleira
A puta sem valor cheirava minha cocaína
Muito
De novo
Outra vez
Abeça
Porra, ela cheirava o meu trabalho.
Meu trabalho!
Já andava cheio dessa piranha viciada
Ficou baranga de uns tempos pra cá
Não tinha mais aquele cuzão com cinturinha
Reclamava
Não cozinhava
Não faxinava
Não botava alimento em casa
A sanguessuga encostada não vai mais encher meu saco
Se ainda fizesse programa...
Resolvi o problema
Sete tiros na cara de cavalo
Matei
Tem miolos pelo chão
Sangue por toda parte
A honra é o presente do homem
Vou fazer uma feijoada com os miolos dela
Quem não comeu em vida
Vai comer em morte
Ora viventes, alguém tinha de pagar a conta da esbórnia.
Muquirana da porra
Tá pago!
Agora vou comer vadias sem dinheiro
Canalha
Tenho dois filhos com outra
Uma burguesinha do Jardim Pernambuco
João e Pedro são meus amores
Eles têm vergonha de mim
Pourquoi
Matar ou não matar
Eis a questão
A mãe dos meus rebentos merece morrer
Vou dar tiros na cara da burguesinha
Ela não dá pra mim
Ela fala de mim
Traficantezinho viciado
Quando eu a matar, não vai falar.
Não reclamava quando era minha mulher
Adorava dar um tequinho
Gostava muito duma orgia com drogas
A Trilogia Lasciva:
Casas de swing
Ecstasy
Belengo
É
Hedonista luxúria
Minha ex gostava de vez ou outra...
... Outras gritando em minha jeba
Amava-me comendo o seu rabo
O Raburguês de seda enfiada
Bons tempos
Botava amigas pra rolo
Rola
Eu, minha rola e elas.
Comi muito o fiofó das amigas
Da ingrata, mais ainda.
Na buça dessa filha da puta meti até gerar crias
Os gêmeos são a minha vida
Já disse isso
Agora eu não valho nada
Sou descartável
Foda-se
Eu tenho a pica dura
Sou El Comedor
Vai todo mundo pra casa do cacete
O profeta falou:
- Meu caralho voador invadirá as casas de todas as fêmeas habitantes no mundo.
Mulheres
Tudo a mesma bosta
A patricinha mãe dos meus filhos cheira muito
Quem é ela pra falar de mim
A filhinha da mamãelhonaria não me deixa em paz
Vou explodir o Jardim Pernambuco
Ela quer meu fim
Eu o dela
Quem mandou largar-me
Existem seres humanos talentosos em transformar ouro em merda
Encanta-me o oposto
Transformar merda em ouro
Impressionante a capacidade humana de fazer cocô
Sim
Ela saía com outros
A outra também, tá morta.
Tenho de limpar a sala
Salada
Comprar salada
Picar as cebolas e o alho
Refogar a couve e as folhas de louro
As carnes estão pelo chão
Miolo de burra ordinária
Maminha de puta fatiada
Costela de vadia safada
Lombo de pistoleira cozido
Filé de rabo de vagabunda
Eee...
Língua de trambiqueira defumada
É só azeitar com feijão e degustar
Amanhã é domingo
Dia de comer bem
Vai ter feijoada com esquartejadinho à rameira
Aquilo tudo
Amigos reunidos
Jogo do Mengão
Minha vida é como ela é
Monogamia é conto de fadas
Depois dou um tempero de azeitonas na fuça da minha ex-mulher
Minha 9mm tá azeitadinha de agora a pouco
Quentinha
Amanhã vou servir feijoada
Feijoada de piranha xinxeira mal passada ao miolo pardo
Estão todos convidados
Por favor, comam minha mulher.

Pablo Treuffar

Licença Creative Commons
POR FAVOR COMAM MINHA MULHER de Pablo Treuffar é licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs 3.0 Unported.
Based on a work at pablotreuffar.blogspot.com.

HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

O Baranguerreiro ideológico


O BARANGUERREIRO IDEOLÓGICO
guerra justa?

Odeio esses caras que só comem mulher bonita
Ficam escolhendo
Pensando
A bunda dessa é caída
Essa é gorda
Aquela é magra
Essa tem narigão
Aquela tem cabelo ruim
Essa não tem peito
Aquela não tem bunda
Todas têm defeito
Quase todas são barangas
Esse negócio de avaliar muito é coisa de mulherzinha
Homem que é homem fode mulher feia
Seleção natural porra nenhuma
Eu quero é cuspir porra
Esporrar
Todo dia
Quem pondera demais não mete em ninguém
Quem avalia muito acaba virando viado
Eu sou macho
Só como mulher feia
No mínimo uma por dia
Sem dente
Gorda
Pixaim
Adoro
Gosto muito duma nega gorda desdentada
Naomi Campbell
Beyoncé
Monica Bellucci
Bárbara Mori
Angelina Jolie
Não quero
De jeito nenhum
Mulher bonita não sabe foder
Dona bela é pra baitola
Ontem matei o décimo segundo babaca selecionador dos muitos que vou matar
Esqueci de falar
Tive um sonho noites atrás
Deus falava comigo:
- Nada de seleção cultural.
- As bonitas têm de sofrer.
Ele disse:
- Quando acordar vai ser pouco ter relações sexuais com uma mulher feia por dia até o fim da sua vida.
- De agora em diante você vai matar um mauriceba escolhedor por dia.
Obedeci
Agora estou indo pro analista
Procuro meu eu interior
Na mala do meu carro tem um corpo
Isso não é bom
Foge ao meu estilo de desova natural
Deixa pra lá
Vou contar como matei um zé cu
O mané tava pegando uma mulata deliciosa
Pensei
Bichaloca
Coloquei minha máscara
Minhas luvas
Saí do meu carro
Andei até os dois
Saquei minha Remington
Disparei
Adoro armas velhas
São como as mulheres feias
Vendidas por um terço do valor
Um patamar baixo
Como eu dizia
Dei um tiro perfurante no estômago do playboy
Gosto de atirar no estômago e ficar vendo o sujeito morrendo
Sofrendo
Tiro no estômago mata por embolia
Dá tempo deu explicar por que ele tá morrendo
Gosto que o fulano entenda que tá fenecendo por fazer pouco de mulher feia
Eu sou o equitativo
Eu faço a minha parte nas excluídas da beleza cultural
Sou o enviado de Deus em prol da salvação das mocreias sem picas
Em viado pegador de gata eu meto bala
Sem dó
Nem piedade
Lisura de procedimento
Rectidão
Esse é o meu destino na terra
Depois que vi o otário morrer
Reparei sua mulher olhando apavorada
Ela me disse chorando:
- Eu faço qualquer coisa, não me mate.
Tive uma ereção e por isso atirei nela também
Foi a primeira mulher que matei
Não posso fraquejar
Não como mulher bonita em hipótese alguma
Atirei na testa
Não queria explicar nada pra ela
Daqui a pouco, meu analista vai enlouquecer.
Contei pra ele do meu sonho com Deus
Descrevi minha teoria da crueldade humana com o não belo
Das sem pirocas
E agora não basta eu só foder elas
Deus mandou matar os homens que não copulam com mulher feia
O analista não perguntou se já matei alguém
Filho da puta
Ficou ouvindo plácido
Tudo bem
Hoje ele vai saber
Hoje ele vai morrer
A mulher dele é protagonista da novela das oito
Foi eleita uma das dez mulheres mais lindas do Brasil
Estou bolando requintes
Crueldades pra morte dele
Antes tenho que me livrar do corpo da mulher na mala do carro
Sim
A carcaça dela está na mala
O cadáver dos ditos-cujos que mato deixo no lugar onde caem
Nem ligo pras investigações
Não leio a repercussão
Não sou vaidoso
Sou Diplomata
Não sinto culpa
Papo pro meu analista
Sociopata
Ele deveria ter me dito isso
Não disse
O fato é
Imunidades para Diplomatas estrangeiros existem desde a Antiguidade
Esqueci de dizer que sou de El Salvador
O menor país da América continental
Nasci na cidade de Sonsonate
Voltando aos meus privilégios
Os embaixadores romanos eram considerados sagrados
Sua violação constituía motivo para guerra justa
Sei lá o que isso quer dizer
Adoro “guerra justa”
Na Idade Média as relações internacionais davam-se entre Chefes de Estado
Ofender um embaixador significava ofender o Chefe de Estado
Isso justifica as precauções da imunidade
E sendo assim
Foda-se todo o resto
Mato mesmo
Quer saber
Depois eu penso no que fazer com o corpo da mala
Meu carro tem placa azul
Não podem guinchar um carro com placa azul, mesmo que ele esteja fechando uma via.
Essa é minha guerra injusta
Vou direto pro analista
Hoje ele vai entender
Salvem as barangas
Não bata, coma!

Pablo Treuffar


HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

Não vai doer nada


Adoro dentistas
Ao contrário
De quatro
Eu empurrando a janta deles pra dentro
Sou o vingador na sala de espera
Odontologia é o meu caralho na bunda deles
Masoquistas sem sangue
Dentistas deitam-te na cadeira
Olham-te de cima pra baixo
Mandam abrir a boca
Balançam sua bochecha como se fosse carne morta
Aplicam-te uma injeção maior que a piroca do Kid Bengala
Olham seus olhos e rindo dizem
Não vai doer
Na boca deles não vai
Com certeza
Na sua dói pacaraio
Enfim
Enfiam um suga baba na tua boca
Exploram-na com aparelhos de metal
Pontiagudos
Gelados
Picam a sua gengiva com o agulhão do jumento comedor de traveco
Futucam daqui
Futucam de lá
Dói aqui
Dói acolá
Humilhação suprema
Domínio total do Dr. Mau
E você ali parado
Deitado
Entregue
Piada
O dentista é o piadista
Todos são
Sodomizadores rentáveis
Ganham dinheiro
O nosso dinheiro
Pagamos caro por isso
Quando um cara pensa:
“Vou ser dentista”
Na verdade tá pensando:
“Vou botar pra fuder com os meus instrumentos de tortura”
Ninguém que trabalha com o bafo alheio pode ser normal
Dentistas Opressores Poliatômicos Sanguinários
Todo mundo sabe
No DOPS eram todos dentistas
É
O dentista é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir NÃO dor
A dor do seu paciente
Fernando Pessoa Ruim
Vou versar
Dentistas não perdem por esperar
A hora deles vai chegar
Rubem me ensinou a matar
Fonseca a cobrar
Vou exterminar todos os dentistas antes de Deus os levar
Não vai doer nada
Não em mim

Pablo Treuffar
HHHHHHHHHH

HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

A poesia dos mortos


A POESIA DOS MORTOS

A primeira pessoa que vi morta foi meu pai
Depois de um tempo
Só pensava em gente morta
Comecei ir às capelas
Gosto de ficar olhando pros mortos
Tenho a pretensão de saber seus pensamentos
Seus apegos
Sua vida
Descobri que vou morrer
Adoro olhar pra morte
Não é porque vou morrer que vou ser bom
Sou ruim por uma vida
Sou ruim e da certo
Cansei de ser inteligente
Pessoas atribuem valores
Trabalho
Casa
Família
Mudei isso
Saí de role com a vizinha
No carro dela, é claro.
Sempre achei o tamanho do carro inversamente proporcional ao tamanho do pênis
Minha vizinha gorda, que não tem pênis, comprou uma DODGE RAM 2500, a maior pick-up do mundo.
Ela acha que tem a maior pica do mundo
Não tem
Tem bucetinha
Tinha
Entregue à sorte num sobrado do centro da cidade
Eu e a vizinha gorda e feia
Olhos nos olhos
Eu e a futura morta
A cara pálida da morte sorri pra mim
Com um cassetete na mão e o cacete na outra, eu falo com olhos calmos:
- VOCÊ NÃO É SAPATA. VOCÊ É GORDA! QUANDO UMA PESSOA TE VÊ ELA PENSA PRIMEIRO QUE VOCÊ É GORDA!
Dou três cacetadas na cabeça dela
Tá lá...
... Um corpo estendido no chão!
Tenho sangue nas mãos
Orgulho nos olhos
Sigo no meu Jogo de Matar
Eu sou injusto
Próximo...

Pablo Treuffar
Creative Commons License
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

Pensando na morte


Sentado no vaso sanitário do Braseiro na Gávea
Terrificado
Penso, logo desisto.
A qualquer hora, vou morrer.
Vou ter uma apoplexia
Derrame de merda
Derramo bosta
Aqui, eu sei.
Flatulências
Não posso mais com doce
Meu bestunto tá derretendo
Não consigo respirar
Sinto dores no coração
Compressão
Premonição
Vou morrer de uma parada cardíaca
Ataque de cardiopatia
300.000 batimentos por segundo
Tô nem aí
Bato outra carreira neste banheiro nojento
Onde estou, ensaio sensações.
Pavor, não nego, tenho medo da morte.
Engulo...
... Um ecstasy
Minha testa pinga
Ouço zumbidos
Zumbis
Fantasmas
A passagem pro além eu comprei nas bocas da vida
No trem da extinção, meu sombrio embarcou.
Embaçou, meu olho dói.
Ocularmente, pressionado.
Sinto, a visão vai explodir.
A foice vai me partir
Enfarte
Não
Eu não
Socorro!
Minha cachimônia lateja
Dores
Pontadas
Náuseas
Vômitos
Por fim, a morte vem me buscar.
Não realizei nada
Ninguém me ouviu
Não ouvi ninguém
Sei que vou morrer
Vai ser agora
Não levarei saudades
Vou embora
PabloTreuffar


HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

Hoje vai ser diferente


Taxista mau-caráter
Fechou-me outra vez
Todo dia é isso
Um filho da puta taxista fecha-me a magrela
Tenho ombro fodido
Porta aberta de um
Raça de palhaços
Ele abriu a porta
Protegi com a mão
O ombro...
Pleck...
Beijei o chão
Não posso andar de bicicleta
Meu ombro estala
A magrela foi pro caralho
Outro dia estava de carro
Calmo
Indo pro trabalho
Um taxista parou na minha frente
Rua Gomes Carneiro
Rua onde passa um carro
O idiota ao invés de parar no recuo
Não
Pisou no freio
Parou!
No meio da rua
Ligou o pisca–alerta
E foda-se
Pisca-alerta de taxista é foda-se
Eles ligam o foda-se
Pronto
Param em qualquer lugar
Ainda enfio a Pica-alerta no cu de um
Eles ligam o foda-se
Eu
Pica-alerta no cu deles!
Imaginam-se os donos das ruas
Quando eu quebrar o pescoço deles
Vai estalar
Vai sim
Igual meu ombro
Vão ouvir
Hoje vai ser diferente
Vou matar um taxista

Pablo Treuffar


HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

A doença é a desculpa do caráter


Abro a porta
Entro
Sentada no sofá
Minha irmã
Dou um tiro
Na testa
Ela cai
Morta
Um bem pra humanidade
Menos uma sanguessuga
Ando pelo corredor
Surge
Minha mãe
Apavorada
Outro tiro
Na testa
Ela cai
Morta
Menos uma injusta no mundo
Vou pra cozinha
Abro a geladeira
Pego o leite
Bebo
Dessa vez minha mãe não vai reclamar
Ótimo
Agora o leite é de quem quiser beber
Assim tem de ser
Comida para quem tem fome
Não só pra filhinha mimada
É
A filhinha mimada não vai poder bebê-lo
Eu
Não sei
Não sou doente
Posso ser tudo
Só não me chamem de doente
Sempre ouvi minha mãe ser doente
As pessoas diziam
“Sua mãe é doente, não é boa da cabeça.”
Cansei de ouvir isso
Pra mim...
... Ela era mau caráter!
Não é mais
Absolvi
Agora...
... Sou um justiceiro
A doença é a desculpa do caráter

Pablo Treuffar


HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

O ricos acham que a compraram

Angra dos Reis
Natureza inexpugnável!
Estupenda
Os ricos acham que a compraram
Só rindo
Eu
Agora
Sozinho
Na rede
Varanda de Condomínio com Iates
Lanchas
Jet skis
Proprietários esnobes
Escuto Djavan no Cd Player
Lap-top no colo
Digito numa banda larga
Parece até que sou um deles, rico.
Grandes merdas
Minha mulher
Suas amigas gostosas
Seus namorados maurícios
Todos na Cachoeira-bar do “magnífico” condomínio
Cachoeira natural deságua no mar
Mundo lindo!
Nosso
De todos
Inclusive
E porque não
Dos proletariados
Mulheres passam na rua
Algumas me veem
Vejo-as
Lindas
Criadas com Leitinho Nanon
Será que gozam com seus maridos
Penso não
Estão preocupadas em serem vistas nas suas Mercedes
Um segurança do condomínio vem falar-me
Pede
Retirar meu velho Santana 85 da rua
Deve estar atrapalhando os Porsches
Pobre segurança
Ele acha as enseadas e cachoeiras
O condomínio
Serem dos esnobes donos do dinheiro
Não querem ver meu Santana velho por aqui
Só rindo

Pablo Treuffar


HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

Tcheca da Tcheca


Os brasileiros adoram ir pra Europa
Amam a França e seus museus
Vivem enaltecendo o velho continente
Ahhh...
Paris...
Eu quero que Paris vá pra puta que a pariu
Pra mim, os franceses são uns pedantes insuportáveis.
Bando de mal-educados
E não me venham falar da Espanha
Barcelona
Arquitetura de Gaudi
Sua obra notável
A suburbana Casa Vicens
Eu quero que o Gaudi se foda
Aos que preferem a Itália
Pergunto
O Templo de Saturno, no Fórum Romano, serve pra quê?
Pra nada
Tô cagando e andando pra Roma
Pra mim, Roma, só se for à de Calígula.
A Roma lasciva
Essa sim!
Se for falar da Europa
Só falo do Leste
Europa pra mim é o Leste
Agora eu digo
Ahhh...
O Leste Europeu...
Suas vadias...
Eu gosto é da Hungria
Bulgária
Eslováquia
Romênia
Polônia
Bielorrússia
Moldávia
Eee...
República Tcheca
Gosto da “tcheca” da tcheca Silvia Saint
Das húngaras...
... Sophie Evans
Nikky Andersson
Anita Blond...
... E suas duplas penetrações
Entre outras
Entro em outras
Sem fim
Em fim
Curto as mulheres amorais
Gostando da verdadeira putaria
Essas loucas do Leste Europeu
Fascinam
Dando na Europa esquecida
Uma mais linda que a outra
Deliciosas
Sem pudores
Fazem tudo
Tudo mesmo
As deslembradas
Europa pra mim é isso!
São elas!
O resto eu deixo pra vocês

Pablo Treuffar


HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

Dois tiros na favela


Hoje
Leio o jornal
Ontem mataram um garoto no Morro Azul
Onde estou lendo, ontem estava no segundo papelote.
Estava eu aqui
Depois de bater várias carreiras
Botei napa adentro
Adoro a Falete
Tarja amarela
É o que há
50 paus
Tem sempre um moto-táxi pra entregar
Acabei de foder
Digito compulsivamente entre um teco e outro
A imagem da minha letra recolhe em si negativamente o conteúdo do texto
Benditos Blocos de Nota, Word e WordPad.
Viva a cocaína
Mataram alguém no Morro Azul
Ouvi os tiros
Dois
A queima roupa
Tuf. tuf.
Da janela do quarto, na cama onde linda morena dorme ao meu lado, vejo dois clarões.
Ouço dor
Sinto morte e medo
Procuro
Paranoica, mente.
Furos de bala em minha cabeça
Não tenho
Estou de frente pro morro, sentado na cama, digitando merdas em um laptop.
A imagem digitada faz bem pro texto
No meu outro lado, o prato com pó.
Dou mais um belengo
A morena não acorda
Bom
Não quero foder
Quero entender
Um desconhecido insignificante deve ter morrido
Eu com isso
Foda-se
Acabei de foder
Tô cheirando e digitando
Caguei pro Azul
Azul é o caralho
Eu gosto é de Branco
Vou dar outro teco
A morena está roncando
Mulheres ronronam, vai saber...
Mataram alguém
Fui chupado, eu como, assim.
Como assim?
Porra! Mataram alguém!!
Foi a polícia
O Bope
Pronto, agora sou politicamente correto.
A culpa é da polícia
Pessoas morrem
Não tô ferido
Maldita polícia
É tudo culpa do Estado
O cidadão é um fodido
Nossa, sou uma pessoa boa.
Vou dar outro teco
Polícia matando remete culpar ao Estado absorvendo a bosta toda, absolvendo assim o pensador da imagem.
É
Bendita polícia
PUTA PÁTRIA QUE ME PARIU
Não sou assim
Tia dizia-se médium, vai saber...
A múmia paralítica disse eu ser também
Por que procurei a bala em minha cabeça?
Não quero ser médium
Vou dar outro teco
Foi a cocaína que matou esse garoto
Assim falaria o Capitão Nascimento
Fascista infeliz
É, sou uma pessoa boa.
Vou meter a pica na boca da morena safada
Mataram alguém
Uns fodem
Outros morrem
E agora...
Foder é o cacete
Tão fodendo o Morro e eu querendo foder
Sou o próprio Filho do Dinheiro escarrado e cuspido
Fico justificando pra legitimar prazer
O mundo tá fodido
Eu pensando em foder
Foder de novo
Só tem mais um belengo
Vou ligar pro moto-táxi
Terá moto-táxi no Azul?
Mataram alguém no Morro Azul, eu pensando se lá tem moto-táxi pra trazer cocaína.
Eu matei
Matei porra nenhuma
Vai se foder, Capitão Nascimento.
Vou foder sim!!!
Como disse o gênio Rubem Fonseca
Tão me devendo buceta e todo o resto que viria ao caso agora
Vou dar último teco e acordar morena pros trabalhos orais
Não tenho culpa
Não sei sobre vocês
A verdade é que eu minto

Pablo Treuffar


HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

Encontrou Jesus é o caralho


Evangélicos aterrorizam
Não eximo a Igreja Católica
Pelo contrário
Mãe de toda desgraça
Todavia
Contudo
Entretanto
Evangélicos
Fiéis
Silgas Malfalares da vida
Esses
Com tetos de vidros
Templos desabantes
É!
A casa caiu
Ruiu
O telhado
Ploft
Em outros tempos
Chutavam Santas
Brããbouos e whatevers
Em seus iates
Helicópteros
Jatinhos cheios de putas
Vivem rindo fiéis
Depositantes de dízimos
Rasgando dinheiro
O próprio dinheiro
Favelados pagam não tendo
Para serem perdoados
Perdoados do quê
Se ganha muito dinheiro em nome da fé
Jesus me ama
Jesus me ama é o caralho!
Não venham com papo de Jesus
Não preciso de intermediários, interpretando em causa própria.
Tiro na testa dos Silgas Malfalares
Pastores
Pastores de cu é rola
Coitado de Jesus, o verdadeiro!
Livre arbítrio
Eu acredito em livre arbítrio
O Jesus usado pelas Igrejas para fins contrários a tudo que o próprio pregou
Esse Jesus eu quero que se foda
...Eee...
Os sociopatas
Usam Jesus para dissimular sua essência
Pagam dízimos
Pronto
Agora são melhores do que eu
Escondendo-se no falso sublimar
É mole
Eu mato
Estupro
Roubo
Pago o dízimo

Silgas Malfalares diz eu ter encontrado Jesus
É
Seus problemas acabaram
Mate hoje
Encontre Jesus amanhã!
Tudo certo
Tá de sacanagem!
Canalhas a um piscar de cu pra sucumbirem
Convencer-me...
Nunca!
Preferia mil vezes quando a professora da academia assumia-se vadia
Tinha dois namorados
Chupava meu pau
Ela era feliz
Agora encontrou Jesus
Vive lendo a bíblia
Pregando
Cabisbaixa
Isso resolve tudo
Hahaha...
E o meu vizinho
Tinha um esquema de roubo de carros
Todo mundo sabia
Falava com geral
Vivia rindo
Sempre com lindas mulheres
Também encontrou Jesus
Vive na Praça General Osório
Pregando
Sozinho
Tenho medo desses sociopatas regenerados
Eram mais honestos antes de encontrar Jesus
Não se negavam
Por isso digo e repito
Encontrou Jesus é o caralho!

Pablo Treuffar


HHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

Minhocas Gererences


MINHOCAS GERERENCES

Imagine
BR – 116
Rodovia Presidente Dutra
A Via Dutra
Plantão de vinte e quatro horas
Três guaritas com sete pessoas cada
As guaritas são como os pedágios
Cabines de Fiscalização
Substituição Tributária
ICMS
Verificar Nota Fiscal de carga de caminhão
Conferir o destinatário
Ver se paga o devido imposto
Simplificando
CARIMBAR NOTA!

Das sete pessoas de cada cabine, quatro mulheres.
Três cabines
Doze mulheres por plantão
A cidade
Itatiaia
Em frente ao Parque Nacional
Às Agulhas Negras

Nesse misto de analfabetos existenciais em caminhões de fumaça enfileirados esperando a vez de passar com seus barulhentos infernais pelas cabines de Fiscalização, a vista do Parque Nacional é a salvação.
Visconde de Mauá
warum nicht
Depois de trabalhar no estilo Modern Times, de Charlie Chaplin, vinte quatro horas seguidas carimbando notas e respirando monóxido de carbono...

Vem...

O Paraíso!
Setenta e duas horas pra curtir o bem querer
Sim
Entre um plantão e outro
Tínhamos merecido três dias de descanso
Muitas vezes fui gozá-los em Visconde de Mauá

Dia
Maconha
Poção
Escorrega
Santa Clara

Noite
Maromba
Cerveja
Sinuca
Buceta

Eu e Marcelo éramos os únicos de fora da região
Dos vinte um plantonistas nas guaritas
Éramos os dois cariocas
Todo grau pejorativo
Cariocas Clássicos!

Rapidamente conheci Gererê
Gererê é uma cidade que margeia a Via Dutra
Cidade da região
Pra mim, Gererê é região!
Bem como
Resende
Volta Redonda
Penedo
Itatiaia
É óbvio!
Pra Sra. Geografia, solenemente, Gererê é corretamente e tão somente uma cidade da região.
Respeito a Sra. Geografia!
Enfim

Gererê! Uma praça! Duas ruas!

Em Gererê conheci Alessandra
Nesta vez, estávamos eu, Marcelo, Oiran e Henrique.
Bebíamos, jogando sinuca na birosca de uma das duas únicas ruas da cidade.
Marcelo e Oiran já eram habitués com Gererê e suas minhocas dadeiras
Falavam-me farras vívidas com promíscuas minhocas Gererences
Chegaram Carol e Lúcia
Minhocas peguetes de Marcelo e Oiran
Henrique e eu dávamos nossas tacadas
Eu acreditando em ter ido pra Mauá
Nossa Amesterdan das montanhas
Ideia muito melhor
Sobre Gererê pensava oposto
Cidade o mais provinciana possível
Moralismo exacerbado
Castu
Beatas e crentes
Mulheres com cabelos esticados para trás
Vestidas de longos rendados
Bíblias de ternos beges

Fui fumar um baseado na praça

Ao voltar à birosca, deparei com uma morena de vestido marrom.
Deliciosa!
Bunda de marquinha ínfima, desenhada no pano do vestido.
Um generoso par de seios servido à meia-taça
Passei a frente dela e disse: - Você não vai a lugar nenhum!
Minha sorte
Carol e Lúcia vieram na cobertura
Carol convidou sua conhecida morena a se apresentar
Alessandra!
Nome de linda morena
Pensei
O nome da bunda
Alessandra vinha do colégio, disse não poder ficar por causa do horário, chegando a casa depois das dez da noite, apanhava do pai.
Era melhor ter ido pra Mauá!
Alessandra olhando-me os olhos com cara de crente lasciva e voz tremulamente nervosa, diz de supetão: - Vou esperar todos dormirem lá em casa, pulo a janela, e venho te encontrar.
Pensei
Trêmula, mente!
Essa não volta mais
Entre beijos e sagradas sarradas em Carol, Marcelo dava suas tacadas.
Lúcia com Oiran não eram diferentes
Henrique, o mais bêbado.

Mesmo eu, sabendo não ser provável a volta de bela morena, não tirava meu olhar do relógio.
Vai saber...

Era uma e trinta da madrugada, em Gererê, quando Alessandra surgiu na porta da birosca com o mesmo vestido marrom. Muito gostosa!
Não quis entrar, com certeza conhecia o dono da birosca, o Seu Manel.
A essa altura, eu já conhecia o Seu Manel.
Ele, o meu dinheiro.
Alessandra falou-me: - Vamos embora daqui, eu tenho de voltar logo pra casa.
Pedi o carro pro Henrique, atônito jogou as chaves pra mim.
Entramos no carro e partimos

Seguimos por uma estrada de terra, na qual ela me direcionava por entre os bem abastados pastos burgueses.
Bendita Sra. Geografia!
Parei o carro no meio do nada
Saímos
Nada mais
Iluminados pela lua cheia
Beijamos
Ela foi botando meu pau pra fora
Chupou ávida por minha porra
Rapidamente gozei em sua boca sedenta
Ela engoliu e levantou
Meu pau não abaixou
Passei a mão em seu rabo
Ela perguntou-me: - E no cu não vai?
A virei contra o carro
Levantei a parte de baixo do vestido
Cheguei a calcinha pro lado
Meti em seu cu
Ela gritava
Rebolava
Obscena
Com poucas estocadas enchi-lhe o cu de porra
Ela se ajeitou dizendo: - Me leve daqui.
No carro, ela apontava o caminho a seguir.
Perto do nada mandou parar
Parei!
Ela me deu um beijo na boca e me disse: - Daqui eu vou andando, não quero que meu pai acorde.
Saiu do carro e andando em direção a lugar nenhum, sumiu.

Voltei pra birosca feliz da vida por ter comido tão maravilhoso cu
Chegando lá, Marcelo, Carol, Oiran, Lúcia e Henrique me esperavam sentados na calçada.
Birosca fechada
Dormimos na casa do tio da Carol, ele estava viajando e ela nos alojou lá.
Lúcia e Carol foram andando pra casa depois de misturarem suas libidos com as de Oiran e Marcelo, no mesmo quarto.
Será que fizeram um troca-troca?
Não importa
Henrique quis saber da minha aventura: - Caralho, a mulher que você pegou era sensacional!
Marcelo e Oiran berravam do quarto
Oiran: - Vai se foder seu sortudo filho de uma puta!
Marcelo: - A mulher mais gostosa da região com certeza!
Conta aí, eles pediam.
Falei: - Comi o cu, só digo isso, gozei no cuzinho dela. Delícia de rabo.
Um a um eles me invejaram
Fomos dormir, eu com ar de Deus, eles imaginando minha Deusa anal.

Dia seguinte
Dia de Plantão Fiscal
Acordei com os três me olhando
Marcelo dizia: - Cara, deu merda, o pai dela descobriu e enfiou a porrada nela.
Virei pro lado tentando voltar a dormir
Henrique falou: - Cara, é serio, fui comprar pão e a encontrei toda roxa, ela tava chorando.
Sentei na cama rindo: - Vocês acham que vou acreditar nessa historia tola, fala sério, vocês a ouviram falando ontem sobre a fuga e ficam querendo me assustar. Inveja é uma merda! Vou tomar banho pra irmos trabalhar.
Tocou a campainha
Oiran foi abrir a porta
Entra a Carol, olhando pra mim e bufando: - O pai da Alessandra bateu nela, ele tá vindo pra cá com uma peixeira, tá dizendo que vai matar o loirinho que deflorou a filha dele.
Depois de ouvir essas palavras da boca de Carol, acreditei!
Toca a campainha
De novo
Incessantemente
Oiran vai ver quem é
Volta cuspindo palavras: - É ele, só pode ser ele, um negro com uma peixeira na porta. É claro que é o pai da Alessandra.
Acreditando piamente no circo armado, peço ajuda: - E agora o que eu faço?
Oiran - Eu vou lá dizer que você já foi embora.
Marcelo - Cara, entra na mala do carro e vamos embora daqui.
Henrique - Eu vou encostar o carro perto da porta da cozinha e você entra na mala.
Pensei: “Na mala, não entro de jeito nenhum!”
Entrei!!!

Dentro da mala vejo, a tampa descendo em minha direção, ocultando toda luz.
Escuridão!
Escuto as vozes sem saber ao certo de quem são
Escuto as portas do carro batendo
Escuto o motor
O carro começa a andar
Fico sacudindo na mala
Pânico!
Começo a gritar
Claustrofobia!
Começo a bater na tampa da mala
Grito: - Eu encaro o cara, eu encaro. Tirem-me daqui, por favor, agora!
Nada!
O carro continua sacolejando
Começo a suar frio
O tempo passa
Muito tempo
Começo a chutar o fundo do carro, o banco de traz.
Meus amigos não param
Fico fora de mim
Apavorado!
O carro para
O motor desliga
Escuto risadas
A tampa abre
Um flash
Vejo Henrique com uma máquina fotográfica na mão
Eu, dentro da mala.
Muitas pessoas me olhando
Rindo
Pessoas do meu Plantão Fiscal
Meu trabalho!
Marcelo e Oiran riem adoidados
Entendo
Saio da mala
Puto!
Mando todos tomarem no cu
Saio andando pra bem longe
Continuo ouvindo gargalhada
É!
Pegaram-me direitinho
Caí como um patinho
Tudo bem
Tudo bem porra nenhuma!
Hoje... Tudo bem... Pode ser...
No dia, demorei a digerir.
Agora beleza
São todos meus amigos
Grandes amigos
Afinal de contas
Se você sobreviver aos seus amigos, sobreviverá a tudo.

Pablo Treuffar

Maria


MARIA
Romeu e Julieta?

Estávamos sentados
Eu
Lia
José
O lugar
Bar Hipódromo
Baixo Gávea
Conversávamos bobagens
Bebíamos muito
Cheirávamos cocaína
Na mesa em frente
Sentado o tal do Fábio
Namorado da Maria
Não falo com Maria desde o fim de nossa história
Contei ao Fabio as barbaridades que fiz com Maria durante o romance dos dois
Deve ter três meses que não falo com Maria
Cheguei a vê-la uma vez
Ignorei
A vi tremendo de raiva
Querendo matar-me
Voltemos ao Hipódromo
Percebi Fábio observando-me algumas vezes
O fato dele não levantar e vir tirar satisfações comigo
Deixou-me tranquilo em relação a minha infantilidade
Ele ficou com ela depois de eu ter dito tais sevícias
Certamente, ela o convenceu que era mentira.
Homens acreditam em qualquer coisa, quando estão embucetados.
Sabemos só a verdade existencial da mulher dos outros
As nossas mentem sua essência
Não contei a ninguém o observar-me dele
Foda-se
Uma morena deliciosa entrou no bar
Cabelo negro liso
Costas nuas
Um rabo muito tesudo
Deliciosamente, caminhando em direção ao toalete.
Passou por mim
Olhou-me os olhos
Sorriu
Piscou
Nunca foi tão fácil
Mentira
Mulheres são fáceis
Levando-se em conta a maioria numérica das fêmeas no mundo
Fica óbvio o desespero delas por homens
Os homens estão virando viados
Elas descontroladas
Levantei da mesa
Fui atrás do rabo tesudo
Sempre vou atrás de rabos tesudos
Uma coisa mais gostosa na mulher que a própria mulher
É o rabo
Já namorei vários rabos
Levei os rabos pra jantar
Levei os rabos à praia
Levei os rabos ao cinema
Sempre gostei de levar minha vida de mãos dadas aos rabos deliciosos das fêmeas
Na porta do banheiro
Eu espero a saída da morena rabuda
Ao sair
Vendo-me esperando
Foi suficiente
Beijamos loucamente
Entre um beijo e outro
Sugeri a minha casa
Ela aceitou
Chegando lá, trepamos.
Seis vezes
Todas sem camisinha
É ilógico
Deve ser
Assim tem sido minha ativa vida sexual
Mulheres não estão nem aí para preservativos
Querem sentir a porra jorrando dentro
Mulheres são reservatórios de porra
Não sou eu que digo
Quem afirma isso em autobiografia publicada...
... É...
... A francesa e crítica de artes, Sra. Catherine Millet.
Bagatela à parte
Acordarmos pela manhã
Eu e a deliciosa morena
O rabo e eu
Trepamos
De novo
Duas vezes
Ela tomou banho
Foi embora sem eu saber nada
Nem mesmo precisei levá-la à porta
Adoro mulheres independentes
...
Dois dias passaram
Eu em casa sozinho à noite
Toca o telefone
Atendo

EU - Alô

ELA - Alô

EU - Quem tá falando?

ELA - Sou eu Maria, posso falar com você?

EU - Tá maluca, tá me ligando depois de tudo que falei pro corno do seu namorado.

ELA - Tudo bem com você?

EU - Você é barata mesmo

ELA - O Fábio falou que viu você no Baixo Gávea

EU - Pois é eu o vi e daí

ELA - Por que você não falou comigo outro dia?

EU - Depois do que eu fiz?

ELA - E daí, tô morrendo de saudades de você, te adoro.

EU - Porra, eu te vi tremendo naquele dia, achei que você queria me matar.

ELA - Eu te amo

EU - E o Fábio?

ELA - Esquece o Fábio, ninguém é homem como você.

EU - O que você quer?

ELA - Quero você, me fode hoje.

EU - Claro que não, já tivemos cinco anos de doença sentimental juntos, não quero.

ELA - Eu faço o que você quiser, pode-me sodomizar.

EU - Não quero

ELA - Por favor, eu pago o motel, preciso da sua pica.

EU – Nem vem

ELA - Me come amanhã, amanhã é meu aniversário, eu dou perdido no Fábio, olha a moral que tô te dando.

EU - Tá bom, só vou te comer e você paga o motel.

ELA - Obrigada, não vai se arrepender, te amo.

Dia seguinte
Encontramos um ao outro
Abraçamos
Dei os parabéns
Fomos ao motel
Transamos como condenados
Três longas vezes
Depois conversamos
Nossas vidas sem o outro
Maria disse amar-me
Eu diria
Amarrar-me
And...
... End...
Pediu pra voltar
Esvaindo em lágrimas falou ter que confessar coisa horrível

ELA - O Fábio falou que você tava com uma morena no Baixo Gávea

EU - Quem?

ELA - Uma morena

EU - Sou solteiro, você tem namorado, tá me cobrando o quê.

ELA - Eu mandei a morena pra você

EU - Você é maluca, sabia que era roubada te encontrar. Sempre da merda.

ELA - Eu estava com raiva de você, você me ignorou.

EU - Eu já disse, achei que você queria me matar.

ELA - Eu te amo

EU - Ama porra nenhuma, por que mandou uma mulher ficar comigo, você é louca...

ELA - Ela tem aids

EU - Você é doente...

ELA - Eu estava com muita raiva de você

EU - Não acredito

ELA - Por isso te liguei, por isso estou aqui, por isso transei com você sem camisinha, agora eu também tenho aids, estamos ligados pra sempre, quero sofrer com você, eu te amo.

FIM

Pablo Treuffar

Manicômio com cerveja


MANICÔMIO COM CERVEJA

manco nu Leblon

Bengala na mão esquerda
Manco desta perna
Ombro direito fodido
Resguardado com tipoia azul-marinho
Com mais de quarenta
Barrigudo
Cabeludo
De boné
Cavanhaque louro ralo
Tipo barba de bode
Olhos azuis sociopatas
Eee...
Pelado
Deste jeito
Dentro de casa
Depois do banho
Ainda molhado
Bêbado
Escutou o choque de ordem
Rua Dias Ferreira
Onde mora
Muitos reboques da prefeitura
Ele
Desprezando obrigações
Gritou
- Amor, eu parei seu carro no lugar errado, não tenho dinheiro pra tirar do Depósito.
A mulher histérica grita pra ele
- Não sei onde está a chave
Ele olhou pela janela do banheiro
O carro dela era o primeiro da fila
Caminhão vindo de ré
Guincho funcionado
Entre falar da chave ou resolver
Largou a bengala
Enrolou a tolha na cintura
Pegou a bengala
Ele
Agora
Estava na sala
Visualizou a chave
Pegou com a boca
Saiu pra rua
Correndo e mancando
Mancando e correndo
De bengala
Tipoia
Toalha
Eee...
Boné
Viu o reboque muito perto do carro
Dois casais
Entre vários outros
Vinham em sua direção
Sua toalha caiu
Sem mãos pra usar
Ficou
Nu
No coração do Leblon
Maior burburinho
Em meio a um choque de ordem
Seu pau balançando
Pedestres andando
Ele
Tão perto do carro
Preferiu continuar
Largou a bengala
Pegou a chave da boca
Abriu a porta do carro
Pelado
Entrou
Ligou o carro
Deu ré
Engatou a primeira
Tudo com a mão esquerda
Saiu cantando pneu
Salvou-se do depósito
Molhado
Sem documentos
Dirigindo
Nu
Riu de si mesmo
Sem perceber
No sinal
Outra rua
Rua Visconde de Albuquerque
Perto do 23º Batalhão
Foi visto
Pela PM
Não foi preso
Com certeza não
Pra um cara desses
Manicômio com cerveja

Pablo Treuffar